Letras

Letras, palavras

Mas que grande criação!!

Quantas coisas escondidas

Numa simples expressão!!

 

Amor, Paixão

Raiva, Rancor e Tristeza

Saudade, Ambição

Inocência, Infância e Pureza

 

Cada palavra tem uma história

Cada letra uma razão de ser.

Transformar uma folha branca

É um acto de Poder.

 

Razão e Emoção,

Cérebro ou Coração.

Verdade ou Ilusão

Liberdade ou Prisão.

SIm e Não.

 

A força de uma palavra

E tão simples, mas tão poderosa.

Que pode transformar em arma

O que antes era uma Rosa.

 

O significado que se transmuta

Na pessoa que profere

Ilumina a mente fraca

E dá força ao que se atreve.

 

Uma frase escrita

Sem a menor vil intenção

Pode ser uma espada

Na boca de um vilão.

 

Um poema que é escrito

Quando a loucura vem ao de cima.

Pode guiar o caminho

De quem o lê, e de quem o estima.

 

Letras, são só letras.

Mas cada uma conta a sua história.

E assim, para todo o sempre.

Fica guardada a nossa memória.

 

Por isso escrevo com a esperança

Que alguem um dia venha a ler

Aquilo que me vem na alma,

Quando um dia eu deixar de Ser.

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Fazer esquecer

Gotas de chuva lá fora
E fumo nos pulmões
Fazem-me esquecer por momentos
Esta vida de ilusões

Os dedos nas cordas
E o som a vibrar nos tímpanos
Fizeram esquecer por momentos
Que já não há momentos intímos

Os olhos sobre a cidade
As pessoas na sua comuta
Fazem-me esquecer por momentos
De que a vida é uma puta

Enquanto estou aqui fechado
Entregue às emoções
Esqueço por momentos
Esta vida de ilusões

Entrego-me à noite
Pois só ela me entende
Só ela me escuta
E só ela me defende

Entrego-me à noite
Porque amo a escuridão
Amo o vazio
Amo a solidão

Este silêncio precioso
E a ausência de tudo
Fazem-me sentir como eu quero
Cego, surdo e mudo.

A noite na rua

A noite cobre

Esta rua abandonada

Não ha Homens, nao ha animais,

Nao ha vida, nao ha nada.

 

O vento frio sopra

As folhas mortas pela Estrada

E a escuridao e mais forte

Que o candeeiro na alpendorada

 

A lua esta oculta

Pelas nuvens negras que ameaçam

Onde vao, nao sei

Mas eu aqui estou, e elas viajam

 

Nao ha sons, nao ha gritos

A cidade esta muda

O cinzento cobre tudo

E deixa-me a alma sisuda

 

Pela janela observo

Mas nao ha nada para ver

Por isso estou aqui sentado

E a pensar o que escrever

 

Mas o Sol ha-de surgir

E a iluminar esta rua

E a vida ha-de voltar

E a espantar a aquela Lua.

 

A escuridao vai-se embora

Mas o vento ha-de ficar

E eu voltarei para a Janela

A ver a vida a passar.