Tentativa

Sinto as moscas a voar

A rodear

A podridão da minha alma

Eu tento

Mas não aguento

Não consigo manter a calma

 

Sou volátil

E de forma fácil

Fico preso nesta sala escura

Eu tento

Mas não aguento

Não encontro uma cura

 

O rastilho acende

E de repente

Explode este dor insuportável

Eu tento

Mas não aguento

Não consigo ficar estável

 

Eu ponho cadeados e mais cadeados

Deixar os demónios bem trancados

Bem longe da minha mente

E eu tento

Mas não aguento

Mantê-los assim pra sempre

Tento ser positivo

Ajudar o meu amigo

Para libertar-me desse pensamento

Eu tento

Mas não aguento

Não afasta o sofrimento

 

Não adianta fugir, ou esconder

Nem tentar desaparecer

Pois sempre me vão encontrar

Eu tento

Mas não aguento

E começo a desesperar

 

Eu subo as escadas do paraiso

E faço tudo o que é preciso

Para manter a minha paz

Eu tento

Mas não aguento

Não deixo de ser só um rapaz

 

As lições são duras e cruéis

São cobras, cascavéis

Que ferram e não largam

Eu tento

Mas não aguento

E estas dores não acabam.

Eu quero ir à luta

Mas nunca fiz a recruta

Não tenho armas para combater

Eu tento

Mas não aguento

E só me apetece morrer.

 

Nem livros, nem músicos

Nem momentos únicos

Me salvam desta guerra

Eu tento

Mas não aguento

Viver mais nesta terra

 

Nao sei se é ódio ou raiva

Mas não consigo manter a calma

Só quero gritar

Eu tentei

E tentei

Mas não aguento mais

Hoje tudo vai acabar.

Rijeza…

Chiça,
Lá fora tá um frio do caraças
Daquele que embacia as vidraças
Quando lhe mandamos com o bafo.
Já liguei o aquecimento
Mas não sei mais o que faço
 
Não gosto de usar pijama
Adoro deitar-me descascado,
Debaixo das mantas, na cama.
E passear-me pela casa
Com a salada a badalar
E as partes baixas a apanhar ar.
 
Desculpem se sou ordinário
Mas não gosto de esconder nada
muito pelo contrário
não tenho muita vergonha na cara
 
Mas o frio não pára.
Já devia tar acostumado
E vestir roupa até ao pescoço
Mas sinto-me sufocado.
O frio chega-me ao osso
Mas não tou muito ralado.
Se ficar constipado
Vou ao médico, fico em casa
Faço um cházito, e logo passa
 
Mas que rijeza…
Eu sei que é normal
Faz parte da natureza
Mas tá um frio tal
que uso dois pares de meias grossas
mal consigo calçar as botas.
Já nem se vê as gaivotas,
que por aqui costumam andar
Devem tar em casa
com o lume a atear
Para aquecer a asa
 
Eu sei que isto logo passa
Mas faz doer as articulações
Apetece-me andar de calçoes
e de chinelos de enfiar
Não, não tou a gozar
É o que me apetece fazer
Em vez de usar um kispo
e botas a condizer.
 
A malta na rua
só se lhe vê os olhinhos
Cachecóis bem grossinhos
Nem conseguem ver a lua
Com o barrete encafuado
São como as mulas,
nem conseguem olhar pro lado…
E vestem tantas camisolas
Que parecem bolas
mal se conseguem mexer.
Parece que vão a rebolar.
 
E de manhã? Nem apetece levantar.
so tenho a cabeça de fora
Mas o alarme grita
“Vamos lá embora”
trabalhar pra ganhar guita.
E depois de uma hora
Lá me levanto contrariado.
Tomar um banho demorado
E deixo a água a aquecer.
Quase a pontos de ferver.
Para ficar bem acordado.
 
E prontos
tá o poema acabado.

Na sombra…

Porra, tou outra vez deprimido
Começo a lembrar-me
Porque a vida não faz sentido

É a Solidão
Quem traz de volta a depressão

Escrevo estas palavras
Para expressar o que sinto
Mas não resulta
E cá dentro há uma luta
Para expulsar este lado mau
Que me prende e prejudica
Mas a minha mente não acredita
Que ainda é possível
Encontrar a felicidade
Que não dure só um momento
Mas por toda a eternidade.

Porra, detesto sentir-me assim
Mas a escuridão apoderou-se de mim
Não me larga, não me liberta
Nem deixa uma janela aberta.
É uma prisão para a minha alma
Eu tento manter a calma
Apreciar o momento
Não divagar
Mas não está a resultar
Ainda estás aqui
E não queres sair.
Eu sei que te vou vencer
E quando esse dia vier.
Nao vou mais te ver.
Se deus o quiser.

Vou pegar na guitarra
Tocar até de madrugada
E quando a manhã chegar
Espero ter a alma iluminada

Indecisão…

Não sei o que quero
Não sei para onde vou
E não sei o que fazer
Enquanto aqui estou.

Não sei que caminho
Eu hei-de escolher
Mas sei que acabarei
Por morrer

Não importa
que escolha faça
para mim a vida
já perdeu toda a graça.

Não sei se vá pela esquerda
Ou pela direita
Só sei que nunca na vida
A vida vai ser perfeita.

Não sei o que é melhor
Não me consigo decidir
E tenho pavor
De não saber por onde ir

Queria fazer tanto
Mas acho que sonho demais
Porque não somos estúpidos
Como os outros animais?

Nunca sabemos nada
Ou então sabemos demasiado.
Queremos um melhor futuro
Mas nunca aprendemos com o passado.

Não sei
Nunca saberei
E quanto mais descubro
Mais há para saber.
Ou vou ser burro
Ou aprender até morrer.

Não quero, não posso
Estou farto
Passamos a vida toda
Á espera do momento exacto.

És só tu poesia
Quem me alivia
Tens um cheiro a maresia
Que me guia
Eu, que não sei onde ia
Sinto que amanhã é um novo dia.